A sustentabilidade em hotel costuma ser tratada como um compromisso ambiental isolado, distante da planilha financeira. Porém, de acordo com Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., essa leitura ignora uma parte relevante da equação. Consumo de água, energia e insumos representa uma fatia expressiva do custo operacional de qualquer hotel, e reduzir esse consumo tem efeito direto no caixa.
Tendo isso em vista, o erro mais comum é apresentar práticas sustentáveis apenas como um diferencial de marca, sem conectar essas ações ao resultado financeiro. Essa desconexão faz com que investimentos relevantes percam prioridade diante de outras urgências do dia a dia da operação hoteleira. Pensando nisso, nos próximos parágrafos, detalharemos como ações sustentáveis se conectam a ganhos financeiros.
Como a energia consumida pesa na conta do hotel?
A energia elétrica figura entre as despesas fixas mais altas de um hotel, principalmente pelo uso contínuo de climatização, iluminação e equipamentos em áreas comuns. Assim sendo, trocar lâmpadas convencionais por LED e instalar sensores de presença em corredores reduz esse gasto sem comprometer o conforto do hóspede, como pontua Gianmarco Marchetti.
Inclusive, hotéis que revisam o sistema de climatização por período do dia costumam obter economia relevante sem qualquer investimento em equipamento novo. Dessa maneira, ajustar horários de funcionamento conforme a ocupação real dos ambientes já representa uma mudança de comportamento com retorno financeiro perceptível em poucos meses.
Onde a água e os resíduos geram economia direta?
A gestão da água raramente recebe a mesma atenção que a energia, mas pesa de forma semelhante na conta. Segundo o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, vazamentos não identificados, torneiras sem arejador e lavanderias com processos desatualizados elevam o consumo sem gerar qualquer benefício perceptível para o hóspede.
Portanto, hotéis que mapeiam pontos de consumo excessivo de água conseguem cortar gastos com fornecimento e tratamento de efluentes de forma consistente ao longo do ano. Esse mapeamento não exige tecnologia sofisticada, apenas uma rotina de verificação e de manutenção preventiva nas instalações hidráulicas. Ademais, as seguintes mudanças operacionais simples ajudam a reduzir esse custo de forma imediata:
- Reuso de água de chuva: reduz a dependência de fornecimento externo em áreas de jardim e lavagem;
- Troca de itens de higiene por dispensers recarregáveis: diminui o volume de plástico descartado e o custo com reposição individual;
- Compostagem de resíduos orgânicos da cozinha: corta o volume enviado para coleta paga e reduz taxas associadas;
- Doação de excedentes de alimentos e enxoval: evita descarte e ainda gera benefício reputacional para o hotel.
Essas ações têm implantação relativamente simples e não dependem de grandes obras. O ganho aparece tanto na conta de água e resíduos quanto na percepção do hóspede sobre a operação do empreendimento.
A sustentabilidade no hotel exige um investimento alto?
Conforme destaca o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, nem toda prática sustentável demanda capital elevado. Parte considerável do resultado vem de mudanças de processo, treinamento de equipe e ajuste de rotinas já existentes, o que barateia significativamente a curva de adoção dessas práticas.
Isto posto, hotéis que tratam sustentabilidade como um projeto contínuo, e não como uma reforma pontual, conseguem diluir investimentos ao longo do tempo e medir retorno com mais precisão. Painéis solares e sistemas de reuso de água, por exemplo, exigem aporte inicial, mas o prazo de retorno tende a compensar quando o consumo do hotel é constante.
O que muda na prática ao adotar essas práticas?
A operação passa a depender menos de fornecimento externo, o que reduz exposição a reajustes de tarifas de água e energia. Além disso, equipes treinadas em uso consciente de recursos tendem a identificar desperdícios antes que se tornem um problema financeiro maior para o hotel.
Aliás, os hóspedes também percebem esse cuidado, mesmo sem que ele seja comunicado de forma explícita. Gianmarco Marchetti reforça que instalações bem mantidas, sem vazamentos ou desperdício visível, transmitem uma gestão mais criteriosa, o que reforça a reputação do empreendimento junto ao público que já prioriza esse tipo de escolha.
A sustentabilidade como uma estratégia financeira do hotel
Tratar a sustentabilidade como uma estratégia financeira, e não apenas como um discurso institucional, muda a forma como o hotel prioriza investimentos. Essa mudança de olhar costuma partir de um levantamento simples de consumo, capaz de revelar onde o dinheiro está sendo desperdiçado sem necessidade. Assim sendo, o caminho mais eficiente passa por revisar processos antes de buscar tecnologia. Dessa maneira, cada novo investimento em sustentabilidade se torna mais fácil de justificar e de medir.
