Inclusão social é um termo que aparece com frequência em documentos de políticas públicas, relatórios corporativos de responsabilidade social e discursos de inauguração de projetos que muitas vezes não duram mais do que algumas semanas. Quando Eloizo Gomes Afonso Duraes usa esse conceito para descrever a missão da Fundação Gentil Afonso Duraes, ele está se referindo a algo concreto, verificável e construído ao longo de mais de duas décadas de presença diária em comunidades vulneráveis. A diferença entre o discurso e a prática é exatamente o que torna sua trajetória relevante.
A educação como caminho estrutural
A escolha da educação como eixo central da Fundação reflete uma compreensão profunda das causas da exclusão social. A vulnerabilidade não é simplesmente falta de dinheiro: é falta de acesso a ferramentas que permitam às pessoas construir trajetórias de vida menos dependentes das circunstâncias do nascimento. Educação é a principal dessas ferramentas, a que tem maior capacidade de romper ciclos de exclusão que se perpetuam de geração em geração.
Eloizio Gomes Afonso Duraes optou por investir nessa dimensão estrutural em vez de se limitar a intervenções de alívio imediato. Isso não significa que o alívio imediato seja ignorado: o Projeto Sopão e as cestas básicas existem justamente porque necessidades básicas precisam ser atendidas. Mas o coração do projeto é a educação, porque é ela que cria as condições para que as pessoas se tornem protagonistas de suas próprias histórias.

Múltiplas dimensões, um único objetivo
A inclusão social que a Fundação Gentil busca promover não se limita a uma única dimensão. Há a inclusão educacional, garantida pelo reforço escolar que ajuda crianças a acompanhar o conteúdo da escola regular. Há a inclusão digital, assegurada pelo curso de informática que prepara jovens para um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico. Há a inclusão cultural, promovida pelas atividades de coral e teatro que desenvolvem expressão, criatividade e pertencimento. E há a inclusão em saúde, sustentada pelo atendimento odontológico que garante cuidados básicos a crianças que de outra forma não teriam acesso.
Para Eloizo Gomes Afonso Duraes, cada uma dessas dimensões é igualmente importante e mutuamente reforçadora. Uma criança que aprende a usar um computador, que desenvolve autoconfiança através do teatro, que tem sua saúde bucal cuidada e que recebe o suporte pedagógico necessário para avançar na escola está sendo incluída em múltiplas camadas simultaneamente. É esse acúmulo de experiências positivas que produz a transformação mais duradoura.
Resultados que transcendem os números
O impacto de um programa de inclusão social raramente se deixa capturar adequadamente por estatísticas. Os números contam parte da história: quantas crianças foram atendidas, quantos anos de operação, quantos estados alcançados. Mas a parte mais importante da história está nas trajetórias individuais dos jovens que passaram pela Fundação e que, por ter tido acesso a essas oportunidades, construíram vidas diferentes daquelas que a vulnerabilidade de origem poderia ter determinado.
Eloizio Gomes Afonso Duraes sabe que a maior parte desse impacto é invisível nas métricas convencionais. E é justamente por isso que ele nunca baseou a continuidade do projeto em indicadores superficiais. Baseou-a numa convicção: a de que cada criança atendida com qualidade e cuidado carrega consigo um potencial de transformação que se multiplica ao longo de toda a sua vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
