O Lollapalooza 2025, realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, foi um evento aguardado por muitos fãs de música, reunindo uma diversidade de artistas de diversos gêneros. A edição deste ano trouxe 240 mil pessoas ao longo de três dias de performances intensas. Contudo, o line-up de 2025 foi marcado por uma predominância do pop, rock e eletrônico, com poucas representações de outros estilos como rap, funk e música latina. Apesar disso, o festival ainda proporcionou momentos de magia, como os melhores e piores shows do evento, que serão abordados a seguir.
Entre os melhores shows, um dos mais destacados foi o de Alanis Morissette, que emocionou o público com uma performance impecável. A cantora, que trouxe ao palco um setlist dominado pelo icônico álbum Jagged Little Pill, conquistou os presentes com sua energia inconfundível e sua voz inalterada, mesmo aos 50 anos. Ao longo do show, Alanis demonstrou a força de sua carreira, com um pop rock visceral que garantiu um dos maiores aplausos da noite. Seu show no Lollapalooza 2025 provou que a experiência e o talento se combinam para criar uma performance inesquecível.
Outro grande destaque do Lollapalooza 2025 foi o show de Marina Lima, que, apesar de enfrentar alguns desafios técnicos e um horário menos favorável, entregou uma performance poderosa. A cantora brasileira, com uma vasta experiência de palco, conseguiu encantar a plateia com sua presença e carisma. Marina Lima contou ainda com a participação de Pabllo Vittar, o que fez seu show ganhar um toque ainda mais especial. Em sua estreia no festival, ela soube como lidar com os percalços e garantiu uma das melhores apresentações do evento.
No campo do eletrônico, o Empire of the Sun levou o público a uma experiência sensorial única. O duo australiano não se limitou à música, mas transformou sua apresentação em um espetáculo visual, repleto de luzes neon e vídeos vibrantes, criando uma atmosfera psicodélica que agradou a todos. Embora o público não fosse completamente familiarizado com a discografia da banda, o hit “Walking on a Dream” foi um dos momentos de maior conexão, mostrando que a proposta do grupo vai além do simples ato de tocar músicas: trata-se de criar uma imersão total.
Em contraste, alguns shows deixaram a desejar, sendo considerados decepções para os fãs. Olivia Rodrigo, apesar de ser uma das headliners do festival, teve uma performance irregular. Embora tenha emocionado muitos fãs, a jovem cantora ainda demonstrou dificuldades vocais em faixas mais agitadas. A falta de consistência vocal em algumas músicas fez com que seu show fosse menos impactante do que o esperado para uma artista de sua magnitude. Embora sua popularidade seja inegável, Olivia precisa de mais amadurecimento para se tornar uma verdadeira referência no palco.
Por outro lado, o show de Jão, apesar de ser um marco na carreira do cantor, não foi considerado um dos melhores do festival. Sua performance foi voltada para um público mais fiel, e a escolha de um setlist que privilegiava seu álbum Pirata fez com que a apresentação fosse voltada para aqueles que já conheciam seu trabalho. A tentativa de fazer um cover de “Linger”, dos Cranberries, também não foi muito bem recebida, deixando um gosto amargo para quem esperava mais da sua performance ao vivo.
Embora Justin Timberlake tenha mostrado que ainda é um grande showman, sua apresentação também não foi unanimidade. Com uma carreira marcada por altos e baixos, ele se apresentou em um momento controverso da sua trajetória. Apesar de um vocal afiado e danças energéticas, o show de Timberlake foi visto por muitos como uma sombra do seu auge, com uma sensação de que o popstar estava vivendo uma fase de transição, entre o sucesso e a decadência.
No lado positivo, Michael Kiwanuka surpreendeu o público ao trazer uma performance soul única no meio de tantas atrações pop e rock. Sua voz rouca e profunda cativou a plateia, e a banda de apoio, extremamente talentosa, ajudou a elevar a qualidade do show. Embora o artista tenha sido tímido no palco, sua presença foi inegável, e a entrega emocional das suas canções mostrou que o Lollapalooza 2025 teve espaço para artistas de diferentes gêneros e estilos.
Por fim, a performance de Ca7riel & Paco Amoroso, dupla argentina de rap latino, também mereceu destaque, principalmente pelo engajamento do público. Apesar de serem relativamente desconhecidos fora da Argentina, os dois conquistaram a plateia com sua energia e autenticidade. O show foi um dos mais surpreendentes do festival, mostrando que o Lollapalooza 2025 foi um espaço para a diversidade musical, mesmo com a pouca representação de estilos fora do mainstream.
O Lollapalooza 2025, portanto, foi um festival repleto de altos e baixos. Alguns shows brilharam mais que outros, mas, no geral, o evento foi um reflexo das mudanças no cenário musical atual, com uma predominância de artistas populares do momento, e ao mesmo tempo, dando espaço para a diversidade de sons e estilos. Seja pelas surpresas agradáveis ou pelas decepções, o festival sempre promete proporcionar momentos inesquecíveis, seja para os fãs mais fervorosos ou para aqueles que preferem observar de longe.
Autor: monny steven